
Amanhã de manhã, depois do estimulante banho frio matinal e do excelente café de micro-ondas, vou tentar resolver.
Isso se a tesoura da companhia telefônica não chegar antes.

Instigado por Carlos Alberto de Mattos, fui investigar Nadine Labaki na internet. Descobri, como disse um visitante do "...rastros", “uns olhos que cabem o mundo”. Resolvi ver Caramelo.
Fui ontem, domingo, no Shopping da Gávea, sessão das 19:50, horário nobilíssimo. Cheguei com hora de adianto, mas quase sou obrigado a sentar nas poltronas de avião da primeira fileira: mais de 90% dos ingressos vendidos. Fiquei me perguntando qual é a taxa de ocupação média das salas de cinema? Decidi tomar um café.
Com a fila do caixa com mais de 20 pessoas e o balcão lotado, fui na padaria da Marquês de São Vicente. Aproveitei a rua e comprei três tubos de jujuba por R$ 1,89 nas Lojas Americanas - além de fumar quatro cigarros, é claro.
Às 19:40 subi e fui o primeiro a sentar. Em poucos minutos a sala encheu e a sessão começou no horário. O de sempre: propaganda, trailler, propaganda, trailler, propaganda, filme. Boa projeção, mesmo que digital. Por que o ingresso de filme digital é o mesmo preço de 35MM? O custo do distribuidor não é bem menor com cópias, fretes e manutenção? Por que não dividir um pouco com o consumidor esse lucro extra das novas tecnologias?
Enfim, o filme. Se não me falha a memória, foi produzido com recursos do governo do Líbano, do Fond Sud, do CineFoundation e outros, ou seja, um excelente B.O. libanês. Simples, belo, sensível e doce. Doce como caramelo. E bem filmado, com técnica e com arte.
Acima de tudo, Caramelo tem Nadine Labaki atrás, na frente, em cima, embaixo e entre.
Mas o que me ficou do filme até agora, 18 horas depois de tê-lo visto, é um grito silencioso de uma parte da sociedade libanesa que deseja mudanças culturais, mas ao mesmo tempo aprende a ser feliz com a vida que há. Nenhuma rebeldia cultural, apenas um longo e aliviante suspiro feminino cristão. Afinal, estamos falando de uma cultura que é o berço de quase todas as demais e de uma região onde surgiram o judaísmo, o cristianismo e o muçulmanismo. Talvez por isso, mudanças culturais não sejam tão banalizadas quanto as que estamos acostumados a ver.
Provavelmente este é o único registro de Elza Soares cantando uma música pela primeira vez.